Capoeira Terra do Sol
APCAP
Escola de Capoeira
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PROJETO CAPOEIRA NA EDUCAÇÃO








Apresentação

Este projeto base para iniciação e prática da Capoeira nessa instituição visa levar o praticante simultaneamente a explicitar as suas virtualidades e a encontrar-se com a realidade para nela atuar de maneira consciente, eficiente e responsável, a fim de serem atendidas as necessidades e aspirações pessoais e sociais, seja ele criança, adolescente, ou adulto.

Justificativa

A presente proposta foi elaborada para prática de atividades que venham ao encontro de seus reais interesses e que favoreçam o desenvolvimento integral e harmônico de seu corpo.
Entende-se assim que educando a criança social, física e espiritualmente, terá ela maior facilidade de inserir-se e realizar-se no seu contexto natural. Portanto, a Capoeira deve propiciar à criança oportunidades de evoluir o espírito de liberdade com responsabilidade, de adquirir os seus hábitos, seus direitos e deveres, a coragem de enfrentar os riscos e de exercer a autoridade para o bem da comunidade. Deve oportunizar ainda o espírito criativo e desenvolver aspectos de sensibilidade, para que possa analisar, sintetizar e refletir criativamente sobre os problemas que por ventura venha encontrar.
Justifica-se também pela aceitação desse trabalho com crianças já realizado em outras localidades do País, Cuiabá (MT), Santo Antônio (GO), Niterói (RJ) dentre inúmeras outras. Também sendo aprovado pelo MEC como disciplina integrante no currículo de Ensino Fundamental e Médio, além de ser ministrado como disciplina no currículo de Universidades e Faculdades de Educação Física do Brasil, como reconhecimento da sua importância.

Objetivos

OBJETIVOS GERAIS DA CAPOEIRA

- Estimula e desenvolve aptidões físicas naturais, através do movimento espontâneo;
- Desenvolve as aptidões perceptivas como meio de ajustamento do comportamento psicomotor;
- Propicia o desenvolvimento das qualidades físicas, objetivando a adaptação orgânica ao esforço físico;
- Estimula a capacidade de expressão individual por meio de movimentos criativos;
- Contribui para a formação e desenvolvimento de hábitos salutares;
- Favorece a socialização;
- Desenvolve o gosto pela música e a criatividade relacionadas ao meio instrumental e pela própria necessidade para o desenvolvimento dessa qualidade;
- Igualdade de participação entre meninos e meninas sem faixa etária específica.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA CAPOEIRA

- Aprimorar diversas condutas psicomotoras, destacando-se dentre elas a coordenação motora geral, a lateralidade, e a organização espaço-temporal; assim como valências físicas (resistência, flexibilidade, agilidade, destreza, expressão corporal);
- Fomentar o sentido de comunidade, estimulando o convívio com outras pessoas, praticando a cooperação, a lealdade, a cortesia, e o respeito mútuo, além de requerer constantemente a disciplina;
- Desenvolver a prática da Capoeira Jogo, estimulando a criatividade de movimentos;
- Propiciar e estimular a confecção de seus próprios instrumentos musicais, como o berimbau, pandeiro, caxixi, e atabaque;
- Fomentar a interdisciplinaridade, tendo em vista ser a Capoeira um esporte genuinamente Brasileiro, e que requer para seu aprendizado um estudo profundo de demais disciplinas do currículo escolar básico, como História e Geografia;
- Favorecer e enriquecer a cultura popular Brasileira;
- Propiciar um intercâmbio entre capoeiristas de outras cidades, estados e países;
- Preparar seus praticantes para a participação em campeonatos individuais, em duplas, grupos, musicais, dentre outros.

Capoeira: Um Breve Histórico

Quando falamos em origem da Capoeira, muitas são as controvérsias, principalmente devido à carência de referenciais históricos, pois em 15 de Novembro de 1890, o conselheiro Rui Barbosa, então Ministro da Fazenda do governo Deodoro da Fonseca, ordenou que toda a documentação referente à escravidão no Brasil fosse incinerada, pois acreditava que tal se tratava de uma “mancha negra” na história do país, e que deveria ser apagada.
A discussão é interminável: pesquisadores, folcloristas, historiadores e africanos procuram saber a origem da Capoeira. Seria ela Africana ou Brasileira?
Alguns estudiosos defendem a origem indígena da Capoeira, de que os Portugueses, quando do descobrimento do Brasil, teriam presenciado os índios nativos divertindo-se jogando Capoeira. Na “arte da gramática da língua mais usada na costa do Brasil”, editada em 1595, há uma citação de que “os índios Tupi-Guaranis divertiam-se jogando Capoeira”. Porém, esta é a teoria menos aceita.
Outros estudiosos defendem a origem africana da Capoeira, afirmando que os negros africanos escravizados e trazidos ao Brasil já carregavam consigo a Capoeira como um de seus costumes. Existe quase uma unanimidade entre os pesquisadores de que os primeiros escravos trazidos para o Brasil vieram de Angola.
Convém, no entanto, lembrar que vários pesquisadores e até mesmo capoeiristas estiveram na África, principalmente em Angola, e jamais encontraram vestígios de alguma luta parecida com a Capoeira; não existem nomes de golpes, nem de toques na língua africana.
A teoria mais aceita pelos pesquisadores e capoeiristas é a de que a Capoeira foi criada no Brasil por escravos africanos. Da África teriam trazido seus costumes, música, religião, danças, e crenças, e aqui encontraram somente a escravidão, uma vida sofrida e reprimida, não possuindo armas suficientes para se defender dos inimigos e senhores de engenho. Movidos então pelo instinto natural de preservação da vida, descobriram no próprio corpo a essência da sua arma, a arte de bater com o corpo, tomando como base as brigas dos animais (coices, saltos, botes) e, aproveitando as suas manifestações culturais trazidas da África, criaram a Capoeira.
A palavra Capoeira “caã puêra” é um vocábulo Tupi-Guarani que significa “mato ralo que foi cortado, extinto”.
Ouviu-se falar de Capoeira durante as invasões holandesas, em 1624, quando escravos e índios, aproveitando-se da confusão gerada, fugiram para as matas. Os negros criaram os quilombos, entre os quais destacamos o famoso Quilombo de Palmares, cujo líder Zumbi era capoeirista, foi o maior e mais forte de todos.
Após a abolição da escravatura, os então ex-escravos, assim como a Capoeira, foram duramente marginalizados, sendo a prática da mesma proibida por diversos anos, e liberada apenas em 1932, quando Manoel dos Reis Machado (Mestre Bimba) conseguiu fundar, na cidade de Salvador, a primeira academia oficial do Brasil.
Hoje pode-se praticar a Capoeira em todo o Brasil, e cada vez mais popular, também no exterior. A exportação de professores e mestres de Capoeira, assim como o surgimento de professores estrangeiros, faz da Capoeira uma grande alternativa profissional para qualquer praticante.

Capoeira e sua Importância Pedagógica

A Capoeira é uma excelente atividade física e de uma riqueza sem precedentes para ajudar na formação integral do aluno. Ela atua de maneira direta sobre os aspectos cognitivo, afetivo e psicomotor. A sua riqueza está nas várias formas de ser contemplada na escola, onde o aluno, através de sua prática ordenada, poderá assimilá-la e, assim, atuar nas linhas com as quais mais se identificar. Porém, existem diversas concepções de Capoeira. Dentre elas, citamos algumas.
Capoeira Luta: representa a sua origem e sobrevivência através dos tempos, na sua forma mais natural, como instrumento de defesa pessoal genuinamente brasileira. Deverá ser ministrada com o objetivo de Capoeira – combate e de defesa.
Capoeira Dança e Arte: a arte se faz presente através da música, ritmo, canto, instrumento, expressão corporal e criatividade de movimentos. É também um riquíssimo tema para as artes plásticas, literárias e cênicas. Na dança, as aulas devem ser dirigidas no sentido de aproveitar os movimentos da Capoeira, desenvolvendo flexibilidade, agilidade, destreza, equilíbrio e coordenação motora, indo em busca da coreografia dos alunos, tanto na parte prática como teórica.
Capoeira Esporte: como modalidade desportiva, institucionalizada em 1972, pelo Conselho Nacional de Desportos, ela mesma deverá ter um enfoque especial para a competição, estabelecendo-se treinamentos físicos, técnicos e táticos.
Capoeira Educação: apresenta-se como um elemento importantíssimo para a formação integral do aluno, desenvolvendo o físico, o caráter, a personalidade e influenciando nas mudanças de comportamento. Proporciona ainda um auto conhecimento e uma análise crítica das suas potencialidades e limites. Na Educação Especial, a Capoeira encontra campo frutífero junto aos portadores de deficiência.
Capoeira Lazer: como prática não – formal, através das “rodas” espontâneas realizadas nas praças, colégios, universidades, festas de largo, etc.
Capoeira Filosofia de Vida: muitos são os adeptos que se engajam de corpo e alma, criando dessa forma uma filosofia própria de vida, tendo a Capoeira como elemento símbolo, e até mesmo usando-a para a sua sobrevivência.
Apesar de termos enumerado algumas concepções e práticas de Capoeira na escola, acreditamos que esta deverá ser ensinada globalmente, deixando que o educando busque a sua identificação em quaisquer dessas formas. Caberá ao professor um papel relevante, orientando e estimulando para que o aluno possa aproveitar ao máximo toda a sua potencialidade.
No jogo da Capoeira, onde são evidenciadas agilidade, destreza, coordenação motora, flexibilidade, e onde o capoeirista desenvolve a criatividade, zelando pelo respeito e camaradagem, jogando para recrear e não para testar capacidade, o professor deve desenvolver de forma integrada os três domínios de aprendizagem do ser humano: psicomotor, afetivo social e cognitivo.
Conhecimento é domínio do corpo. Controlar a agressividade através de movimentos rápidos e precisos, e proporcionar harmonia entre o corpo e a mente com movimentos suaves e flexíveis serão pontos identificados pelo educando ao iniciar a prática da Capoeira.
O estímulo de todas as partes do corpo seria um exemplo para o praticando entender que a própria natureza possibilitou ao ser humano condições, qualidades e recursos. Tudo tem uma utilidade e pode ser utilizado, desde que haja pleno estado de consciência, pois o potencial humano deve ser testado a cada momento em diferentes situações.

TEXTO DO MEC

A Capoeira Também Educa
Atualmente, pedagogos, sociólogos e pesquisadores na área da Educação, são quase unânimes em afirmar que a educação crítica de um povo não pode se desvencilhar do contexto sócio-cultural deste, nem tampouco, de sua realidade presente
(...)
A participação da cultura popular nos conteúdos curriculares está tomando dimensões cada vez mais abrangentes. Certamente, urge a necessidade de se abrir uma brecha nos currículos para àqueles que fazem a cultura do homem real, o homem popular, o que vive o dia-a-dia dos conflitos sociais, àquele que vem resistindo de geração a geração aos desmandos dos “grandes vultos” e dos políticos hediondos. E a capoeira está aí, com todo o seu exuberante acervo de informações, sua riqueza simbólica, seus movimentos de resistência que denotam claramente a nossa conflituosa trajetória política, impregnada de abusos de poder e dominações.
A capoeira está também com o movimento corporal, com a música, a improvisação, a arte, a dança, a liberdade, a luta de classes, enfim, numa roda de capoeira, ou outra atividade inerente a sua prática, encontram-se todos esses elementos que, certamente fazem parte do cotidiano de cada um, que se forem explorados de maneira efetiva e coerente, contribuirão, obviamente, para a instrução e a educação das nossas crianças, dos nossos adolescentes e adultos. (...)
MEC. INEP. ALFABETIZAÇÃO E CAPOEIRA, Jornal do professor de 1º grau, Brasília – DF, Setembro de 1986, Cartilha, p. 08.

 

As Alegrias da Capoeira na Escola
A Capoeira é potencialmente alegre e provedora de alegrias. A começar pela multiplicidade de facetas que ela apresenta. Dança, jogo, luta, esporte, cultura, folclore, história, filosofia de vida. Ela é capaz de comportar em um mesmo ambiente os anseios mais diversos e satisfazê-los de modos distintos. Didaticamente, a Capoeira oferece condições para se despertar a alegria e o interesse pelo saber. A Capoeira é por essência um ambiente de múltiplas interações pessoais que propiciam, através das variadas situações que se apresentam, uma melhor percepção do aluno de si e dos outros, tanto externamente, nas suas potencialidades físicas, como internamente.
Desde o seu surgimento, por toda a sua história e até os dias atuais, o contexto da Capoeira traz consigo o desafio, um constante desequilibrar e reorganizar das estruturas: físicas (através de seus movimentos às vezes tão naturais, às vezes tão incomuns à outras atividades); cognitivas (quando da não determinação de respostas fixas, obrigando o aluno a exercer um raciocínio rápido, coerente e diferente a cada situação); emocionais (à medida que para cada jogo valerá uma troca de energia diferente, dependendo do outro jogador, podendo ser uma brincadeira descontraída, divertida, uma disputa alegre ou não de capacidades, frustrações quanto a movimentos castrados pelo outro jogador ou satisfações na conclusão deles); e morais (pois naturalmente regras de respeito a integridade de cada um surgem, até mesmo por uma questão instintiva de auto-defesa, e passam a regular o ambiente lhe conferindo limites saudáveis de convivência coletiva).
Outro ponto importante na questão da Capoeira na escola especificamente é que o professor não se equipara ao Mestre de Capoeira que por vezes se torna uma figura que representa uma autoridade centrada, é natural que este professor seja questionado em muitos aspectos, desde os técnicos e históricos, até os culturais, sociais e morais que envolvem o mundo da Capoeira hoje. E este espírito questionador é também motivo de crescimento.
Alegria é energia, e move as pessoas. O ambiente da Capoeira por sua forma, musicalidade, gestualidade, é essencialmente energético. A questão é canalizar esta energia, ou alegria, para os fins desejados, sejam de domínio corporal, sejam do resgate da ludicidade no ensino e na vida, seja da ritmicidade corporal e universal, seja da consciência do eu, do outro e das relações estabelecidas, seja do espírito crítico, desafiador, enfim, da Educação.
As alegrias da Capoeira na escola... Uma roda, música, batuque, cantoria, crianças batendo palmas, outras se movimentando ao som que "rola" energia no ar. Festa, show de música baiana, carnaval, qualquer um destes cabe na descrição e todos são ambientes de extrema alegria. Esta também é a descrição de uma roda de Capoeira. Em suma, não há porque a Capoeira não ser um instrumento para uma escola alegre.

Estratégias

Com o intuito de um melhor aproveitamento dos conteúdos e objetivos previstos, utilizaremos as seguintes estratégias:
- Escolha de um local apropriado para prática da Capoeira;
- Apresentação de um material didático (apostilas, livros, filmes, etc...); 
- Formação de grupos artísticos de apresentação ao público e à sociedade;
- Organização de um laboratório para confecção de instrumentos musicais;
- Intercâmbio entre capoeiristas de diversas localidades, através de eventos e campeonatos.


Recursos para Prática

- Local apropriado para a prática (quadra ou sala);
- 01 aparelho de som com CD player;
- Uniformes para alunos
- 03 berimbaus
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